O que um auditor realmente olha no certificado de calibração?

Você acabou de receber o equipamento do laboratório de calibração. O certificado chegou, você dá uma olhada rápida, coloca na pasta e volta para a sua rotina no laboratório. Problema resolvido, certo?
Errado!
A frase “Tá calibrado certinho” é um dos maiores causadores de não conformidades em auditorias. Um certificado de calibração não é um recibo; é um documento vital para a tomada de decisão. Todas as medições realizadas por este instrumento dependem diretamente de como você interpreta esses dados.
Neste guia prático, vamos detalhar os itens essenciais que você precisa analisar no seu certificado, desde os itens básicos de um certificado até como evidenciar a análise crítica do certificado!
1. O Básico que Reprova: Qual certificado é de qual instrumento?
Antes de olhar para a tabela de resultados, verifique o básico. A norma ABNT NBR ISO/IEC 17025 exige que o certificado contenha uma identificação do instrumento para que haja uma associação do instrumento com o certificado. Verifique se as informações essências do instrumento, como modelo, classe, nºde série, identificação e TAG que estão no instrumento, estão devidamente corretas no certificado de calibração.
2. Rastreabilidade Metrológica: O padrão da confiança!
A rastreabilidade metrológica é um dos itens mais importantes a ser analisado no certificado, pois é ela que garante a cadeia de calibração, onde o padrão que foi utilizado na sua calibração, também tenha sido calibrado e documentado.
Na prática para você, existem duas opções com relação a rastreabilidade metrológica, quando você for analisar o certificado fique atento:
• Certificado RBC: Se o certificado for emitido com o selo de acreditação, significa que o laboratório pertence à Rede Brasileira de Calibração, você não precisa reter os registros da rastreabilidade dos padrões. A acreditação do Inmetro já atesta essa cadeia.
• Certificado Rastreado: O serviço não é inferior, mas exige mais cuidado da sua parte. Neste caso, é necessário reter os registros documentais da rastreabilidade dos padrões utilizados pelo laboratório contratado.
Veja nosso artigo com uma explicação completa sobre rastreabilidade metrológica clicando AQUI

ATENÇÃO
É importante entender que um laboratório acreditado pode emitir tanto certificados acreditados quanto não acreditados, então sempre que você visualizar o selo de acreditação no certificado, significa que o certificado foi emitido pela RBC.
3. Desmistificando: Erro vs. Incerteza
Para avançar na análise crítica, não confunda esses dois conceitos; eles são completamente diferentes e devem ser interpretados separadamente:
Erro de Medição: É a diferença exata entre o valor medido pelo seu equipamento e o valor de referência fornecido pelo padrão. O erro indica uma tendência sistemática e muitas vezes pode ser ajustado fisicamente ou corrigido no dia a dia da operação.
Incerteza de Medição: É a quantificação de uma dúvida associada à medição. Diferente do erro, a incerteza nunca será zero, pois representa a variação natural e a dispersão inerente a fatores como o ambiente, o método e a própria resolução do equipamento.
4. A Prova de Fogo: Erro Total e o Critério de Aceitação
O fato de o seu analisador de umidade estar com um certificado novo não significa que ele está apto para a utilização. Você precisa cruzar os resultados do certificado com o seu Critério de Aceitação.
Se você não sabe como criar ou como funciona o critério de aceitação, veja nosso artigo completo explicando clicando AQUI
O critério de aceitação é o parâmetro interno que define se o instrumento atende aos requisitos metrológicos para o uso pretendido. Para estipulá-lo, uma maneira é montar em cima da tolerância do processo produtivo em que o instrumento atua.
Existe uma regra de ouro na metrologia industrial: o critério de aceitação ideal é de 1/10 da tolerância do processo. Contudo, alternativas práticas como 1/5 e 1/3 da tolerância também são comumente utilizadas, dependendo do rigor exigido e dos riscos.
Com o seu critério estabelecido, você deve calcular o Erro Total do equipamento, que não deve ser confundido com o critério de aceitação em si.
• A Fórmula do Erro Total: Erro Total = |Erro| + |Incerteza de Medição|
• Atenção: Ao fazer esse cálculo, utilize sempre o valor absoluto (módulo) do Erro, independentemente de ele ser positivo ou negativo, e some este valor à Incerteza.
A Tomada de Decisão Técnica:
• Se a soma: Erro + Incerteza ≤ Critério de Aceitação, o equipamento está apto para uso (APROVADO).
• Se a soma: Erro + Incerteza > Critério de Aceitação, o equipamento está reprovado, e deverá ser enviado para a manutenção ou tem necessidade de ajuste! (REPROVADO).
5. Evidenciando a Análise Crítica (A Visão do Auditor)
De nada adianta realizar os cálculos e não registrá-los. A comprovação de que o certificado passou por uma análise criteriosa pode ser evidenciada por meio de um carimbo de aprovação aposto em certificados físicos, um carimbo digital em documentos eletrônicos ou através de um formulário de análise crítica de certificado.
Lembre-se: a calibração não existe para preencher burocracias. Ela é a base que assegura a precisão e a defesa técnica dos seus laudos diários. Transforme o seu certificado de calibração em uma ferramenta ativa de controle de qualidade!
Se você ainda têm dúvidas sobre como fazer a análise de certificado de calibração, a BRIX oferece um treinamento completo, explicando do ínicio ao fim como fazer uma análise de certificado!
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